Abrapa defende valorização das fibras naturais na MP das blusinhas
A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) acompanha de perto a tramitação da Medida Provisória nº 1.357/2026, a chamada “MP das blusinhas”. A entidade destaca a importância de que o debate no Congresso Nacional considere não apenas aspectos tributários e comerciais, mas também a competitividade da cadeia produtiva nacional e os efeitos das fibras sintéticas. Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, afirma: “Precisamos discutir quais materiais e modelos de produção queremos estimular.”
Contexto de mercado
A MP, editada pelo governo federal em maio de 2023, propõe a isenção do Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas pela internet. A aprovação da medida é urgente. Ela precisa ser validada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado até o início de setembro. Caso contrário, a alíquota de 20% será aplicada novamente, impactando diretamente o mercado nacional.
O Brasil é a quinta maior indústria têxtil do mundo e possui a maior cadeia verticalizada do Ocidente, abrangendo desde a produção da matéria-prima até a comercialização do produto final. O setor gera mais de 1,3 milhão de empregos diretos e tem um impacto econômico indireto que beneficia mais de 8 milhões de famílias. Portanto, discutir a MP é vital para a manutenção e fortalecimento dessa cadeia.
Análise
A Abrapa argumenta que a competição com produtos importados deve ser justa. Enquanto produtos estrangeiros podem entrar no Brasil com isenções fiscais, os produtores locais enfrentam uma carga tributária elevada e diversas exigências regulatórias. Piccoli ressalta que “essa diferença de condições também deve ser considerada no debate no Congresso”.
Além disso, a Abrapa apoia a Emenda nº 52, que propõe a criação da CIDE-Têxtil. Essa tributação progressiva sobre produtos têxteis acabados importados varia conforme a quantidade de fibras sintéticas em sua composição. A proposta visa incentivar o uso de fibras naturais e reduzir o impacto ambiental das fibras sintéticas, que são derivadas do petróleo e prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana.
Impacto para o produtor
Para os produtores rurais, valorizar as fibras naturais é uma questão de sobrevivência e competitividade. O algodão, por exemplo, é uma fibra natural renovável que o Brasil pode produzir em larga escala. A crescente dependência de fibras sintéticas importadas representa um desafio que deve ser enfrentado. Fortalecer a cadeia produtiva nacional, por meio de políticas que estimulem a produção local, pode garantir a sobrevivência dos produtores e a qualidade dos produtos oferecidos aos consumidores.
Perspectivas
O debate em torno da MP nº 1.357/2026 é uma chance para o Brasil reavaliar sua posição no mercado têxtil global. Valorizar as fibras naturais deve ser prioridade. Isso fortalece a economia local e promove práticas que beneficiam o meio ambiente e a saúde da população. A Abrapa se compromete a contribuir com informações técnicas e fomentar um diálogo qualificado sobre a sustentabilidade da cadeia têxtil. Assim, espera-se que o Brasil se consolide como líder na produção de fibras naturais, promovendo um futuro mais justo para todos os envolvidos na cadeia produtiva.